O Bom Retiro se apresenta como bairro constituído e ocupado por sucessivas levas de estrangeiros. Desde o início de sua ocupação diferentes grupos se fizeram presentes: ingleses, portugueses, italianos, sírios- libaneses, judeus, gregos, coreanos e bolivianos. Embora o Bom Retiro tenha abrigado indústrias de grande porte e integre, ao lado de outros bairros centrais, como afirmam vários autores, o primeiro conjunto de bairros operários da capital, desde os primórdios de sua ocupação se esboça a tendência de negócios por conta própria. Os portugueses participaram do trabalho fabril, mas grande parcela abriu pequenos e médios negócios, principalmente, no setor alimentício,dentro da casa. Os italianos constituíram o maior contingente de mão de obra assalariada das indústrias que se instalam no final do século XIX, mas também desenvolvem outras atividades no bairro, que ficavam a meio termo, entre comércio e indústria.

As transformações que ocorrem no bairro se caracterizam menos pela lógica dominante na cidade apoiada no binômio demolição/reconstrução, e mais por sucessivas apropriações de uma mesma estrutura física. Os processos de adequação do bairro às atividades instaladas no bairro entre os anos 1920 e 1940 reveladas pela análise de processos de obras no Arquivo da Prefeitura mostram que os estrangeiros se instalam no construído, no existente. Configura-se, por um lado, a permanência do tecido urbano – entendido como a base física e o tecido social – e, por outro, o contínuo movimento de entrada e saída de imigrantes. Ou seja, ao mesmo tempo em que o bairro passa por um conjunto de transformações, permanecem e se potencializam processos pré-existentes desde sua origem.

01.DEMOLIÇÕES, AUMENTOS E REFORMAS
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01. Demolições, aumentos e reformas
02.ABERTURA DE VIAS E NOVAS EDIFICAÇÕES
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02. Abertura de vias e novas edificações
03.DEMOLIÇÕES OCORRIDAS-1930 E 1954
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03. Demolições ocorridas · 1930 e 1954