Coleção Oreste Sercelli

A coleção Oreste Sercelli foi adquirida pelo Museu Paulista de suas netas, Bruna e Florença Sercelli em 2000. O conjunto réune documentos de natureza variada que registram o processo de trabalho de um pintor decorador no início do século XX. O núcleo central são os 141 projetos originais e desenhos assinados produzidos por Sercelli entre 1896 e 1927, produzidos em grafite, carvão e aquarela. Manuscritos e 18 fotografias registram suas atividades profissionais entre 1903 e 1927 (cartões de visitas, certificado de conclusão de curso, comprovante de trabalho, imagens de sua equipe de trabalho). Integram também o conjunto frascos de tintas confeccionadas artesanalmente, pincéis, suporte em couro para pincel e folhas para douração e sua biblioteca de trabalho, com 36 títulos entre revistas de decoração e atualidades, repertórios de modelos alemães, italianos e franceses, e tratados arquitetônicos. Destacam-se, pela raridade, uma edição de 1865 do clássico de Owen Jones, Grammaire de L ‘Ornament e as coleções italianas de modelos decorativos comercializadas em fascículos mensais.1865-1918.

Quem foi Oreste Sercelli


Oreste Sercelli (Florença, Itália, 1867-São Paulo, Brasil, 1927) chegou em São Paulo em 1896. Recém-formado como professor de artes decorativas pela Escola Profissional de Artes Decorativas e Industrias de Florença. Seus primeiros trabalhos foram a decoração da Vila Buchard, na Rua Arthur Prado, na (1896, hoje demolindo), a ornamentação da Capela de Santa Luzia (1898), da Capela de Santa Cecília e do Sagrado Coração de Jesus. Em 1902 já encontramos propagandas de seu estabelecimento em jornais e revistas. Em 1906, Oreste é contrato pela família Cattarino, de Salvador-Bahia, para decoração de sua residência. A partir desta data, passa a viver em Salvador, tendo trabalhado em projetos nas capitais do nordeste – Aracaju, Maceió. Sua produção é diversificada: em Maceió- Alagoas, decora o Teatro Deodoro (1910), em Salvador sua pintura decorativa compõe o Cassino Bahiano (1911), o Insituto Antirábico (s/d) e a igreja de Nossa Senhora da Ajuda (1914); Em Aracaju-Sergipe, foi o responsável pela decoração interna do Palácio do Governo (1918). Em 1921, voltando a São Paulo, participa da decoração da Igreja Matriz da cidade de Jaú. Trabalhou como pintor-decorador até o seu falecimento, em 1927, após finalizar um grande projeto de decoração interna e externa do Palácio da família Beneducci (R. Paraíso, n. , hoje demolido). Com seu filho Bruno Sercelli, que também estudou na Itália, seguindo-lhe na trajetória profissional, Oreste dividiu a autoria dos últimos projetos.

Sobre Oreste Sercelli


JORDAN, Kátia Fraga (Org.). Um palacete bahiano e sua história – De Villa Catharino a Museu Rodin. Salvador: Solisluna, 2006. LIMA, Solange Ferraz de. Oreste Sercelli e a decoração do Teatro Deodoro. In: Sandro Gama Araújo. (Org.). Theatro Deodoro - 100 anos de arte. Maceió: Grafmarques, 2010. LIMA, Solange Ferraz de. O trânsito dos ornatos: modelos ornamentais da Europa para o Brasil, seus usos (e abusos?). Anais do Museu Paulista. São Paulo, v. 16, n. 1, pp. 151-169, jan.-jun. 2008. LIMA, Solange Ferraz de. Ornamento e cidade: ferro, estuque e pintura mural em São Paulo, 1870-1930. Tese (doutorado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002 MACAMBIRA Yvoty. Os mestres da fachada. São Paulo : Centro Cultural,SP. 1981.

Critérios de seleção dos documentos referenciados no banco de dados


Da coleção foram selecionados apenas os 141 projetos de pintura decorativa de autoria de Oreste Sercelli.



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